Margem Equatorial do Brasil: potencial geológico, licenciamento e caminhos para uma oferta segura de energia

A Margem Equatorial voltou ao centro do debate energético brasileiro. A Ecopetrol acompanha com interesse seu desenvolvimento, avaliando riscos e oportunidades sob as lentes de segurança energética, rigor ambiental e previsibilidade regulatória — princípios que orientam nosso posicionamento sobre o tema.

O que é a Margem Equatorial — e por que ela importa

A Margem Equatorial se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abrange cinco bacias sedimentares: Foz do Amazonas, Pará–Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. A atratividade geológica é frequentemente associada à analogia com a província Guiana–Suriname, onde projetos offshore vêm adicionando produção de classe mundial.

Nos últimos meses, a bacia vizinha da Guiana consolidou um novo patamar com a entrada do quarto FPSO no bloco Stabroek, movimento que sustenta a meta de 1,7 milhão boe/dia até 2030. O avanço reforça o potencial exploratório no Atlântico norte sul-americano.

Status do licenciamento: avanços graduais e condicionantes ambientais

No Brasil, a retomada do processo de licenciamento no trecho mais sensível — Foz do Amazonas — ocorre de forma incremental. Em agosto deste ano, o Ibama e a Petrobras agendaram o simulado pré-operacional (exigência para avaliação de segurança antes da perfuração).

Em abril, a companhia concluiu o centro veterinário em Oiapoque (AP) para resgate e cuidado de fauna, um dos pedidos do órgão ambiental no contexto do licenciamento. Houve avanço adicional com a aprovação do conceito do plano de emergência para fauna.

O debate permanece plural: lideranças indígenas manifestaram oposição à perfuração na foz; o MPF solicitou estudos adicionais (por exemplo, sobre cenários de dispersão e eventos extremos) no processo.

O que dizem os especialistas

Para Adriano Pires do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), a Margem Equatorial é “uma das últimas grandes oportunidades de expansão geológica do país”. Postergar decisões por razões não técnicas seria um erro estratégico, desde que o avanço ocorra com salvaguardas ambientais e previsibilidade regulatória. Em entrevista recente, o economista reconheceu avanços no licenciamento, mas criticou a lentidão processual — e lembrou que benefícios precisam alcançar o Arco Norte.

“A perspectiva apresentada pelo Dr. Pires honra a história, a realidade atual e os desafios futuros do setor produtor de hidrocarbonetos no Brasil. Sem dúvida, o desenvolvimento dos recursos energéticos de uma nação requer, além de investimentos bilionários de risco em áreas de fronteira, como a margem equatorial, estabilidade regulatória e institucional.” – Comentou o Gerente Técnico da Ecopetrol Brasil, Mauricio Goyeneche

Oferta, reposição de reservas e o horizonte pós-2030

A experiência recente na Guiana mostra como descobertas relevantes e execução eficiente podem alterar o quadro de oferta em poucos anos. Esse pano de fundo é útil ao Brasil, que mira incorporação de recursos contingentes e revitalização de campos com infraestrutura compartilhada para elevar fator de recuperação e mitigar custos.

Goyeneche afirma que “os próximos anos serão decisivos para o suprimento e a incorporação de recursos contingentes e volumes adicionais para o Brasil, provenientes principalmente das bacias existentes offshore e onshore, bem como de projetos de revitalização, produção de volumes economicamente viáveis por meio de infraestrutura compartilhada e aumento do fator de recuperação de campos maduros.”

O Gerente Técnico da Ecopetrol Brasil reforça também que “para manter os níveis recordes de produção além de 2030, será necessário um esforço extraordinário por parte da Petrobras, de outros operadores e do próprio Estado, atuando como ente articulador que apoie as iniciativas de exploração e desenvolvimento das bacias de fronteira ao sul e ao norte do Brasil, incluindo Pelotas e a Margem Equatorial.”

Caminho responsável: ciência, diálogo e previsibilidade

Ao acompanhar a evolução do tema, a Ecopetrol Brasil observa três pilares que tendem a reduzir riscos e elevar a confiança social e de investidores:

Ciência aplicada — campanhas ambientais, planos de emergência testados e infraestrutura de resposta dimensionada.

Diálogo qualificado — participação ativa de comunidades e povos indígenas nas discussões, aderente às melhores práticas de consulta.

Previsibilidade regulatória — marcos claros e calendários que sinalizem estabilidade para decisões de longo prazo (incluindo estudos ambientais estruturantes).

A Ecopetrol Brasil segue monitorando com atenção a evolução da Margem Equatorial e mantendo diálogo técnico e transparente com a sociedade e os atores setoriais, em favor de um futuro energético seguro, competitivo e sustentável.

Há 18 anos presente no país, a Ecopetrol Brasil integra o Grupo Ecopetrol, um dos principais líderes em energia na América Latina. O grupo atua em toda a cadeia de exploração e produção, além de desenvolver portfólios diversificados em energia. Nosso propósito é transformar o futuro do setor, impulsionando progresso sustentável na Colômbia, no Brasil e em escala global.